
Apelidos, brincadeiras “sem graça”, perseguição, intolerância às diferenças e chacotas. Essas palavras podem definir o Bullying – termo que vem do inglês “bully”, que se refere a pessoas que intimidam, agridem ou se aproveitam de outras pessoas. Este importante assunto vem sendo muito debatido nas comunidades escolares atualmente e, com o avanço da internet, a prática do Bullying também ganhou uma versão digital, o Cyberbullying.
No entanto, o local mais comum para os atos de Bullying ainda é na escola, ambiente no qual as crianças e jovens convivem diariamente e traçam seus primeiros laços de amizade e “desamizade”.
É comum que a criança ou jovem que sofre Bullying se isole e tenha queda no rendimento escolar, podendo desenvolver, também, problemas psicológicos. Já o agressor, busca se destacar entre os amigos, sentir-se poderoso e obter uma boa imagem de si mesmo.
E é nesta complicada realidade que entra o desafio dos educadores do século XXI: Como integrar os alunos e acabar com o Bullying dentro e fora da escola?
A escola não é um ambiente voltado apenas para o ensino formal, é também participante ativa da formação do cidadão, ao promover a aprendizagem dos direitos e deveres, da amizade, da cooperação e da solidariedade. Por isso, trabalhar questões educacionais importantes, como o combate ao Bullying e a valorização do respeito, contribui para a formação de alunos capazes de fazer a diferença, buscando uma sociedade mais humanitária e justa.
Para ensinar valores e orientar os alunos, é preciso muito mais do que uma aula, é necessário planejar e colocar em prática ações que envolvam professores, pais e, principalmente, os próprios alunos.
Sendo assim, promover e estimular a comunicação entre os estudantes e educadores em sala de aula, e desenvolver atividades que despertem nos jovens o sentimento de importar-se com outro, por meio do desenvolvendo de relações afetivas, baseadas na escuta, apoio mútuo, vínculo interpessoal positivo e na cooperação, são boas maneiras para promover a integração de todos.
É importante também ressaltar aos jovens, que todos nós somos diferentes e, para convivermos bem em um grupo, é preciso conhecer e respeitar a alteridade do próximo. Ao levar o aluno a essa reflexão e o estimulando cada vez mais a manter uma relação de respeito com os colegas, seja na escola ou não, os ataques de Bullying certamente serão reduzidos ou até eliminados.
Outra boa maneira de prevenir ou combater o Bullying é trazer a questão para as pequenas ações do dia a dia vivenciadas na escola, como, por exemplo, acolher um aluno que acabou de ingressar no colégio. Esta simples ação incentiva a solidariedade, a tolerância e a generosidade dos estudantes.
De acordo com Maria Tereza Maldonado, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-Rio e especialista em Bullying, criar “contratos de convivência”, nos quais se discute claramente o que é aceitável e o que não é nos relacionamentos que ocorrem no ambiente escolar, e colocar consequências, tais como reparação dos danos, quando os “acordos de bom convívio” não são respeitados, também é uma maneira efetiva de prevenir o Bullying nas escolas.
E como não podia deixar de ser, a parceria entre a escola e a família é extremamente importante para que essas práticas de tolerância, respeito e abertura para compartilhar sentimentos sejam levadas também para as relações fora do ambiente escolar.
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